Irmão de estudante de psicologia morta ao sair do trabalho em MG relata dor: ‘Pior coisa da vida foi reconhecer minha irmã no IML’

  • 12/02/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeo mostra Vanessa deixando trabalho momentos antes de desaparecer A dor de reconhecer a própria irmã no Instituto Médico Legal (IML) é uma imagem que Matheus Oliveira, de 31 anos, afirma que jamais sairá da memória. A estudante de psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, foi encontrada morta após sair do trabalho em Juatuba, na Grande Belo Horizonte Ao g1, o irmão da vítima traduziu o impacto da perda. “A pior coisa que eu já fiz na minha vida foi ter que reconhecer minha irmã no IML. Essa imagem perdura nos meus olhos. Foi uma cena que eu não desejo ninguém a ver, nem ao meu pior inimigo”, desabafou. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Vanessa morava em Pará de Minas, no Centro-Oeste do estado, e se deslocava diariamente para Juatuba, onde trabalhava no Sistema Nacional de Emprego (Sine). Ela desapareceu após sair da unidade por volta das 14h de segunda-feira (9) e foi encontrada morta no dia seguinte. Segundo a Polícia Civil, o suspeito do crime é Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos, morador de Juatuba. Ele confessou o assassinato em ligação feita à família. Após o crime, ele foi à casa da mãe, pegou dinheiro e fugiu. Até o momento, não foi localizado. O corpo de Vanessa foi sepultado na quarta-feira (11) no Cemitério Municipal, no distrito de Antunes, em Igaratinga, no Centro-Oeste de Minas. Vanessa e o irmão Matheus Reprodução/Redes Sociais Buscas pela cidade Antes da confirmação da morte, Matheus percorreu Juatuba sozinho em busca de qualquer sinal da jovem. “Passei a madrugada calculando a rota que eu faria, pesquisando mapas. Fiquei andando por mais de 10 quilômetros a pé tentando encontrar qualquer pista”, contou. Segundo ele, teve que contar principalmente com a solidariedade da população local e disse que não recebeu o apoio institucional esperado. “Me senti acolhido pela população de Juatuba, mas não tive o apoio necessário dos órgãos. Em momento algum me ajudaram a procurar câmeras ou alguma pista”, disse. Segundo o irmão, há indícios de que Vanessa tenha tentado resistir à violência. “Pelos sinais, ela lutou até o último minuto. Ela foi agredida e estava muito machucada”, completou. Mapa mostra local onde Vanessa foi encontrada morta, em Juatuba. Arte g1 Uma jovem que sonhava em cuidar de pessoas Descrita como dócil, empática e muito querida, Vanessa estava no 7º período de Psicologia e tinha o sonho de ajudar pessoas que enfrentavam dificuldades emocionais. “Ela era extremamente dócil, amada e tinha muitos amigos. Adorava ouvir as pessoas e queria trabalhar ajudando quem passava por problemas psicológicos”, contou o irmão. A jovem estagiava em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e também auxiliava pessoas na busca por emprego. Mesmo longe, fazia questão de comparecer presencialmente para atender e orientar quem precisava. “Ela amava o que fazia e não colocava dificuldade em ir trabalhar e ajudar outras pessoas a conseguirem oportunidades de trabalho. Ela sempre falava que se pudesse ajudar aprovaria todos nos processos de seleção. Ela só pensava em ajudar”, disse Matheus. Luto e cobrança por justiça A morte precoce deixou a família em estado de choque e com sentimentos que misturam dor profunda e indignação. “Hoje meu sentimento é dor, angústia e impunidade. Éramos só eu, minha irmã e minha mãe em casa, agora não tem ela mais”, desabafou o irmão. Tranquila, comprometida e estudiosa Vanessa também foi lembrada por amigos e professores como uma jovem tranquila, comprometida e estudiosa. Conforme o coordenador do curso de psicologia, Éser Pacheco, a estudante era responsável e dedicada aos estudos, mantinha uma rotina focada na formação acadêmica e sonhava em atuar na área de Recursos Humanos. Vanessa Lara de Oliveira era moradora de Pará de Minas Reprodução/Redes Sociais Éser contou ainda que havia ministrado aula para a turma de Vanessa recentemente, quando discutiram temas como feminicídio e violência na sociedade contemporânea, e que, diante da comoção entre os estudantes, o curso decidiu suspender temporariamente as aulas da turma. A professora Marina Saraiva, que acompanhou a estudante durante um semestre, relembrou a trajetória dela e destacou a dedicação nas aulas e no estágio no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS-IJ), onde atuou com crianças e adolescentes com transtornos mentais severos. Segundo Marina, colegas e profissionais do serviço ficaram profundamente abalados com a notícia da morte. "Está todo mundo chocado”, afirmou. A docente disse que os relatos mais frequentes sobre Vanessa a descreviam como uma jovem 'boazinha demais, tranquila e meiga', com um jeito discreto que marcava todos que conviveram com ela. Emocionada, Marina disse que ainda tenta lidar com o impacto da perda e lamentou a interrupção precoce da trajetória da aluna. “A gente vê uma menina ter a vida interrompida assim, com tantos sonhos e planos. É realmente chocante”, declarou. Entenda o caso Conforme a Polícia Militar (PM), o corpo de Vanessa foi encontrado com sinais de violência em uma pista de caminhada na Rua Antônio Dias, no Centro de Juatuba. Um drone que pertence a um fotógrafo da cidade auxiliou nas buscas. A estudante desapareceu na segunda-feira após do Sine, onde participava da equipe de uma empresa que realizou um processo seletivo no local. Em nota, a Polícia Civil disse que enviou uma equipe de perícia e o rabecão ao local. "O corpo será submetido a exame de necropsia. A PCMG aguarda a conclusão de laudos para atestar as circunstâncias e a causa da morte", informou a instituição. LEIA TAMBÉM: Quem era a estudante que desapareceu ao sair do trabalho e foi encontrada morta Homem é agredido ao ser confundido com suspeito de matar estudante Polícia identifica suspeito de matar estudante A PM identificou o suspeito de matar a jovem. Segundo o g1 Minas. Trata-se de Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos. Parentes informaram que ele telefonou para a família, confessou o crime e disse que estava no Centro da capital. No entanto, continua foragido. Ainda de acordo com os familiares, o homem pediu dinheiro à mãe para ir a Belo Horizonte e saiu de casa após tomar banho. Ele afirmou que passaria a viver nas ruas. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2026/02/12/irmao-de-estudante-de-psicologia-morta-ao-sair-do-trabalho-em-mg-relata-dor-pior-coisa-da-vida-foi-reconhecer-minha-irma-no-iml.ghtml


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