Por que a Gerdau fechou a produção de aço em Divinópolis

  • 04/11/2026
(Foto: Reprodução)
Gerdau demite 278 funcionários da unidade de Divinópolis O fim da produção de aço da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, foi motivado, segundo a empresa, pela perda de competitividade da operação. Entre os fatores apontados estão o alto custo do minério de ferro e as condições do mercado internacional. Mas o que está por trás desse cenário econômico? ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Wagner Almeida, especialista em finanças e professor universitário, explica que o caso da fábrica pode ser entendido a partir de uma conta matemática. A unidade transforma minério de ferro em ferro-gusa e, posteriormente, em aço. Nesse processo, o custo da matéria-prima representa apenas uma parte das despesas, que também incluem transporte, energia, mão de obra e outros insumos. Quando o custo para produzir aumenta e há pressão sobre os preços de venda, a operação perde competitividade. “ A empresa precisa conseguir produzir o aço, que é o negócio principal dela, a um custo que permita vender esse aço e competir no mercado. Quando a Gerdau fala em falta de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos, isso significa que não há fornecimento em condições de preço que tornem essa produção vantajosa para a unidade”, explica. Leia mais: Gerdau anuncia fim da produção de aço na fábrica de Divinópolis Gerdau demite 280 trabalhadores após anúncio do fim da produção de aço Fim da produção de aço em Divinópolis pode afetar 2 mil empresas Gerdau vai manter setor de laminação com cerca de 170 trabalhadores Importações As importações também contribuem para aumentar essa pressão, segundo o especialista. Quando o aço produzido em outros países chega ao Brasil por preços mais baixos, as siderúrgicas nacionais enfrentam mais dificuldades para comercializar os próprios produtos. “Por isso existem tarifas e cotas de importação sobre alguns tipos de aço. Essa é uma forma de proteger a produção nacional”, afirma Wagner Almeida. No entanto, essas medidas não abrangem todos os produtos. Parte da concorrência também ocorre de forma indireta, com a entrada no Brasil de máquinas e outros bens industrializados que já utilizam aço produzido no exterior. Gerdau em Divinópolis encerra produção de aço Cristiano Dias/Tv Integreção Perdas no mercado externo e interno Em entrevista à TV Integração, Pedro Fernandes, economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), avalia que o Brasil enfrenta uma crise de competitividade no setor siderúrgico. Segundo ele, a indústria nacional perde espaço tanto no mercado externo, em razão das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, quanto no mercado interno, com o aumento da entrada de produtos chineses a preços mais baixos. “A siderurgia brasileira, notadamente a capacidade instalada em Minas Gerais, foi tributada severamente no conflito comercial com os EUA. A nossa indústria perdeu mercado na exportação para o mercado americano. Por outro lado, está tendo um aumento doméstico de produtos chineses, que são produzidos a preços artificiais. A indústria mineira não tem como competir neste sentido. Perdemos mercado externo por tributação e mercado interno por produtos chineses”, afirma. O economista destaca ainda que o encerramento das atividades de uma indústria siderúrgica provoca efeitos que vão além dos empregos diretamente ligados à empresa. A redução da atividade econômica também pode comprometer a arrecadação dos municípios e, consequentemente, a capacidade de investimento em serviços públicos. “A indústria siderúrgica é uma atividade econômica de alto valor adicionado e contribui com a capacidade arrecadatória dos municípios onde está instalada e também do estado. Quando uma indústria fecha ou diminui substancialmente sua produção, a receita pública dos municípios é afetada, o que diminui a capacidade desses municípios de oferecer bens e serviços públicos para a população”, explica. Empresa cita custos e concorrência internacional No posicionamento enviado à imprensa nesta terça-feira (3), a Gerdau atribuiu o fim da produção à perda de competitividade da operação, principalmente pela dificuldade de acesso ao minério de ferro a preços competitivos, pelo avanço das importações de aço no mercado brasileiro e pelas condições desfavoráveis do mercado internacional, especialmente para as exportações. O minério de ferro é utilizada na fabricação do aço e, segundo a empresa, a falta de condições favoráveis de fornecimento tem pressionado os custos da operação. A companhia também destacou a importância histórica das vendas ao exterior para o desempenho da unidade de Divinópolis. No entanto, o cenário internacional desfavorável tem dificultado a competitividade das exportações. A decisão faz parte de uma estratégia de reorganização das atividades da Gerdau no Brasil. A empresa afirma que pretende concentrar a produção em unidades consideradas mais competitivas e eficientes, com maior nível tecnológico, para garantir a sustentabilidade dos negócios no longo prazo. Impactos na economia de Divinópolis De acordo com a Prefeitura de Divinópolis, a unidade da Gerdau pode representar até cerca de 15% do repasse de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ao município. O encerramento da produção também tem impacto sobre o mercado de trabalho e a cadeia produtiva local. Segundo a administração municipal, cerca de mil trabalhadores e 2 mil empresas da cidade são afetados pela decisão. Em nota, a FIEMG destacou que a trajetória da Gerdau se confunde com a história do desenvolvimento industrial de Divinópolis. A entidade classificou o fechamento como uma perda significativa para a economia local e para centenas de trabalhadores e familiares. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2026/11/04/por-que-a-gerdau-fechou-a-producao-de-aco-em-divinopolis.ghtml


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